quinta-feira, 1 de abril de 2010

Judite

Quando despido em frente ao espelho

Tenho vergonha de lembrar o passado

Quando conheço pessoas, me sinto pelado.

Sinto a roupa cair pelo corpo, ou simplesmente desaparecer.

-Eu quero sair!

Já disse

Mas ninguém me tira daqui

Prisioneiro da vontade alheia.

Se eu ouvisse os conselhos de minha mãe

Andaria nu hoje em dia, para que todos me olhassem.

“Não bebe muito” dizia ela.

“Cuidado na rua, é perigoso” Exclamava.

Agradeço a Deus por ter alguém que me compreende, Judite.

Ela é igual a mim, mas consegue mexer os braços.

Disse que nunca dirigiu carro, só cadeira... nasceu assim.

As vezes acordo ouvindo barulhos de ferro se retorcendo

E depois o silêncio, o medo e uma profunda depressão.

E assim será, enquanto Deus queira ou que Judite se vá.