Quando despido em frente ao espelho
Tenho vergonha de lembrar o passado
Quando conheço pessoas, me sinto pelado.
Sinto a roupa cair pelo corpo, ou simplesmente desaparecer.
-Eu quero sair!
Já disse
Mas ninguém me tira daqui
Prisioneiro da vontade alheia.
Se eu ouvisse os conselhos de minha mãe
Andaria nu hoje em dia, para que todos me olhassem.
“Não bebe muito” dizia ela.
“Cuidado na rua, é perigoso” Exclamava.
Agradeço a Deus por ter alguém que me compreende, Judite.
Ela é igual a mim, mas consegue mexer os braços.
Disse que nunca dirigiu carro, só cadeira... nasceu assim.
As vezes acordo ouvindo barulhos de ferro se retorcendo
E depois o silêncio, o medo e uma profunda depressão.
E assim será, enquanto Deus queira ou que Judite se vá.